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Programa de desenvolvimento de líderes: como estruturar

Como estruturar um programa de desenvolvimento de líderes que muda comportamento: diagnóstico, trilha em etapas, prática no trabalho e medição.

Turma de líderes reunida em foto de grupo ao final de um encontro de desenvolvimento de liderança

Resposta rápida

Um programa de desenvolvimento de líderes funciona melhor quando é organizado como uma trilha. Ele parte de um diagnóstico do que a empresa precisa, organiza o conteúdo em etapas (do autoconhecimento à formação de sucessores), garante prática no trabalho entre um encontro e outro, envolve o gestor de cada participante e mede a mudança de comportamento, além da satisfação com o treinamento.

O que você vai entender

  • Por que tantos programas de liderança não mudam nada
  • Os cinco elementos de um programa que funciona
  • Como organizar a trilha em etapas
  • Como medir o resultado além da avaliação de reação

Quase toda empresa já investiu em algum treinamento de liderança. E muitas já saíram com a sensação de que, passada a empolgação dos primeiros dias, tudo voltou a ser como antes. Na maioria das vezes, o que falha é o formato: um evento isolado, genérico, sem prática e sem acompanhamento dificilmente muda o jeito de alguém liderar. Neste artigo, mostramos como estruturar um programa de desenvolvimento de líderes que chega à rotina.

Por que investir no desenvolvimento de líderes?

Porque o líder é quem traduz a estratégia e a cultura para o dia a dia da equipe. Um levantamento do Gallup, feito com milhares de equipes, concluiu que o gestor responde por pelo menos 70% da variação no engajamento entre times. Em outras palavras, a mesma empresa pode ter equipes muito engajadas e equipes desmotivadas, e a principal diferença entre elas é quem lidera.

Há também um motivo regulatório. Com a atualização da NR-1, fatores como sobrecarga, conflitos e falta de apoio passaram a fazer parte do gerenciamento de riscos ocupacionais, e boa parte deles passa pela forma de liderar. A Organização Mundial da Saúde recomenda capacitar gestores como uma das medidas para proteger a saúde mental no trabalho. Veja mais em NR-1 e riscos psicossociais.

Por que tantos programas de liderança não funcionam?

Os motivos se repetem de empresa para empresa:

  • O programa é um evento de um ou dois dias, e o aprendizado não tem tempo de virar hábito.
  • O conteúdo é genérico e não conversa com os desafios reais da empresa.
  • Não há prática entre um encontro e outro.
  • O gestor do participante não sabe o que está sendo trabalhado e não apoia a mudança.
  • A empresa mede apenas se as pessoas gostaram do treinamento.
  • Os sistemas da empresa (metas, bônus, promoções) continuam premiando o comportamento antigo.

O último ponto merece atenção. Se o líder aprende a dar feedback e a desenvolver pessoas, mas continua sendo avaliado apenas pelo resultado de curto prazo, ele vai fazer o que a avaliação pede.

Quais são os elementos de um programa de líderes que funciona?

1. Um diagnóstico antes do conteúdo

O programa precisa responder a uma pergunta: que liderança a estratégia e a cultura da empresa pedem, e onde estão as maiores lacunas? Um diagnóstico de cultura, entrevistas com a diretoria e ferramentas de avaliação comportamental ajudam a definir as prioridades.

2. Uma trilha em etapas

Liderança se desenvolve em camadas. Faz pouco sentido ensinar técnicas de feedback para quem ainda não entende como o próprio estilo afeta os outros. Na Escola de Líderes da Ativme, a trilha tem 40 horas e quatro etapas:

EtapaFocoO que o líder leva para a rotina
AutoconhecimentoPerfil comportamental, pontos fortes e pontos cegosConsciência de como reage sob pressão e de como é percebido
Liderança pelo diálogoComunicação não violenta, assertiva e afetivaConversas difíceis com menos desgaste e mais clareza
Liderança pelo exemploCoerência entre discurso e comportamentoValores da empresa visíveis nas próprias decisões
O líder que desenvolve líderesFeedback, plano de desenvolvimento individual, sucessãoPessoas da equipe prontas para assumir mais responsabilidade

3. Prática entre os encontros

O modelo 70-20-10, popularizado pelo Center for Creative Leadership, sugere que a maior parte do desenvolvimento de um líder vem de experiências desafiadoras no trabalho, uma parte das relações (feedback, mentoria, observação de outros líderes) e uma parte menor de cursos formais. Os números são uma referência, e não uma regra exata, mas a mensagem é útil: o encontro formal serve para preparar e dar sentido à prática.

Por isso, cada etapa da trilha deve terminar com um compromisso concreto para aplicar até o próximo encontro, como conduzir uma conversa de feedback, reorganizar a distribuição de tarefas da equipe ou fazer uma reunião de alinhamento. O encontro seguinte começa pelo que aconteceu.

4. O gestor do líder envolvido

Quando o gestor do participante conhece o programa, ele pode reforçar os comportamentos novos e abrir espaço para que aconteçam. Uma conversa de alinhamento antes do início e outra ao final já fazem diferença.

5. Medição do que mudou

O modelo de Kirkpatrick, muito usado para avaliar treinamentos, propõe quatro níveis: reação (os participantes gostaram?), aprendizagem (aprenderam?), comportamento (mudaram a forma de agir no trabalho?) e resultados (isso afetou os indicadores da empresa?). A maioria das empresas para no primeiro nível. Para um programa de liderança, o terceiro nível é o mais revelador. Ele pode ser medido com avaliações da equipe antes e depois, observação do gestor e acompanhamento dos compromissos de prática.

Como adaptar o programa à rotina da empresa?

Um programa de desenvolvimento de líderes compete com a operação pelo tempo das pessoas. Por isso a agenda precisa ser flexível. Na Escola de Líderes, os encontros podem ser organizados durante a semana, aos fins de semana, em tardes ou em dias inteiros, conforme a dinâmica de cada empresa. Em operações com turnos, como as de óleo, gás e energia, o desenho precisa considerar escalas e embarques.

O mais importante é que o líder saia de cada etapa seguro para colocar as ferramentas em prática.

Perguntas frequentes sobre desenvolvimento de líderes

Qual a diferença entre treinamento de liderança e programa de desenvolvimento de líderes?

O treinamento costuma ser um evento pontual, focado em um tema. O programa de desenvolvimento é uma trilha com etapas, prática entre os encontros, envolvimento do gestor e medição de resultado. O primeiro transmite conteúdo; o segundo tem mais chance de mudar comportamento.

Quanto tempo deve durar um programa de líderes?

Depende dos objetivos, mas o desenvolvimento precisa de tempo entre os encontros para que a prática aconteça. A Escola de Líderes da Ativme, por exemplo, tem 40 horas de conteúdo distribuídas em etapas, com a agenda combinada com cada empresa.

Quem deve participar primeiro: líderes novos ou experientes?

Os dois grupos se beneficiam, com ênfases diferentes. Líderes recém-promovidos ganham mais com autoconhecimento e comunicação. Líderes experientes costumam aproveitar mais as etapas de liderança pelo exemplo e de formação de sucessores. Turmas mistas também funcionam bem, porque os mais experientes compartilham situações reais.

Como saber se o programa de liderança deu resultado?

Olhe além da avaliação de satisfação. Compare a percepção da equipe sobre o líder antes e depois, acompanhe se os compromissos de prática foram cumpridos e observe indicadores como rotatividade, afastamentos e clima nas equipes envolvidas.

Referências

  1. Gallup, Managers account for 70% of variance in employee engagement (2015)
  2. Center for Creative Leadership, The 70-20-10 rule for leadership development
  3. Kirkpatrick Partners, The Kirkpatrick Model
  4. Organização Mundial da Saúde, Guidelines on mental health at work (2022)

Conteúdo informativo. Cada empresa tem um contexto próprio, e as decisões sobre saúde e segurança do trabalho devem envolver os profissionais responsáveis pelo SST da organização.